Simon Cochrane quebra o recorde do Ultraman do Havaí

Amy Robitaille conquista a vitória feminina e 2 meninas no pódio da classificação geral

Nosso colaborador em questões de ultradistância, Mark Bonilla, nos conta como foi uma das corridas mais difíceis do mundo, a Ultraman do Havaí.

ALOHA AMIGOS!

Mais uma UM mágica do Havaí terminou, deixando para a posteridade o novo recorde de Simon Cochrane, e acrescentando mais uma página à história da UM no Havai, e já são 37.

Antes de analisar tudo o que aconteceu; tempos e outros (sobretudo; dados objetivos, nos quais cada um de nós pode basear uma opinião) fazem uma breve introdução a este divertido Campeonato do Mundo de 2023:

Apenas 15 triatletas terminaram a prova

Já na primeira fase; 8 não passaram do tempo limite (isso já nos diz o quão difícil foi o 1º dia, tanto na natação como na parte de ciclismo).

2 mulheres entre as 3 primeiras do General e 3 entre as 6 primeiras...

Tire suas próprias conclusões, embora sim; Para mim é o produto de um compêndio entre o baixo nível dos triatletas deste ano (é óbvio com a diferença de 5 horas entre o 1º e o 2º) e o alto nível das triatletas femininas.

E, claro, o que há de mais positivo neste ano; O recorde de Simon no tempo total do Ultraman, que todos esperavam e que é o que lhe deu alguma “vida”, desde então; o fato de ver se conseguiu bater o recorde ou não; É o que tem dado entusiasmo à parte de competição masculina, e mais, depois de Jordan Bryden finalmente não ter aparecido no Havai, o Campeão do Mundo em 2019 que acreditávamos que seria o único que poderia acompanhar de perto Simon daqueles que foram apresentados esta ano.

“Vamos nos preocupar”

Vamos analisar as etapas e os tempos, principalmente quebrando esse novo recorde. Como sempre; Começo por ordem cronológica desde a primeira fase, mas este ano e, tendo em conta que as meninas têm estado “apertadas” aos rapazes na classificação... Vou analisar paralelamente nas etapas e setores:

Para começar, este ano evitarei resumir quem foi o melhor em cada uma das etapas e setores das etapas, pois os melhores tempos e o líder em todas as etapas do início ao fim foi o Simon, e como já fizemos disse ; A ausência de Jordan fez com que ele nem precisasse ultrapassar ninguém desde o início da água, como provavelmente teria acontecido se Jordan Bryden tivesse participado por ser bom na natação.

Na categoria feminina, embora sem recorde, o mesmo aconteceria com Amy Robitaille; Ele não cairia do primeiro lugar e tanto; que ela seria campeã e 2ª colocada geral à frente dos demais meninos. Vamos começar:

SETOR DE NATAÇÃO 10K E BICICLETAS 145K NA 1ª ETAPA

-Nem ajudou o canadense Barry Berg a bater o tempo de natação de 10 km que conquistou com 2 horas 46' no ano passado para ficar à frente de Simon...

Ele fez 2 horas 42', mas Simon nadou 4' mais rápido, e foi apenas o prelúdio do que aconteceria nas três etapas; liderança do campeão nas 3 etapas do início ao fim, e praticamente competindo contra si mesmo e contra o relógio, único rival que posava para bater aquele recorde que fica para a história:

(Para facilitar o acompanhamento, comparação de tempos e evolução de cargos; sempre me referirei ao posicionamento geral, e analisarei meninos e meninas separadamente, para que tanto o posicionamento geral quanto as categorias sejam vistos com clareza):

PESSOAL:

1º Simon Cochrane: 2H38´ – 4H36´ (Superando o 4H38´ que Richard Thompson fez no ano passado) Total: 7H15´22”

2º-Barry Berg: 2H42´ – 5H46´ Total: 8H28´24” (Indo em 2º, na 2ª etapa eu abandonaria a prova).

5ºAndrew Mally: 3H29´ 6H03´ Total: 9H32´ (E é aqui que se abre um grande intervalo de mais de duas horas com o primeiro perseguidor masculino na classificação).

6º-Zachery Powell: 3H19´ – 6H54´ Total: 10H13´ (O atleta mais jovem com o terceiro melhor tempo de natação que, a partir deste momento, desceria posições).

GAROTAS:

3º-Amy Robitaille: 3H41´ – 5H 41´ Total: 9H23´ (A partir daqui ela não sairia do primeiro lugar na categoria feminina, e a partir da 2ª etapa estaria sempre mais de uma hora à frente de seu perseguidor imediato, então ela teria também liderar o teste de forma esmagadora e até o final).

4º-Andrée-Anne Girard: 3H27´ – 6H01´ Total: 9H29´ (A melhor das meninas na natação. Ela ficou na frente de Amy o máximo que pôde na bicicleta, e terminou a etapa 6´ atrás dela, a partir daí com certeza saberia disso ela já estava. Ela teria que se dedicar para garantir o segundo lugar, embora o que ela não soubesse é que tiraria mais do terceiro lugar do que Amy sendo a primeira tiraria dela).

9º-Mary Latza: 4H14´ – 6H43´ Total: 10H57´ (Esta triatleta fecharia o que seria o último pódio feminino, já sentenciada na 1ª etapa e, como aconteceu com Andree-Anne, tendo uma grande diferença tanto na frente quanto atrás).

11º-Vanuza Maciel: 4H00´ – 7H08´ Total: 11H09´ (Embora estivesse de olho no 3º lugar, a brasileira iniciou uma briga acirrada pelo quarto lugar com Anja Hooton, deixando o sonho do pódio no Havaí desvanecer a partir da 2ª etapa).

Anja Hooton: Com um total de 11H45', mal ultrapassando o tempo limite (12 horas), terminaria em último com um 16º lugar que lhe permitiria lutar, como já dissemos, pelo 4º lugar feminino.

Uma difícil 1ª etapa terminou com 7 triatletas sem finalização e com dois líderes consolidados desde o primeiro minuto, mas...

Embora a típica “seleção natural” que se faz ao longo de uma competição; Já estava feito; Ainda tinha show para ver, vamos passar para a segunda etapa.

SETOR DE BICICLETA 280K da 2ª ETAPA

Etapa “longa” da UM, com quase toda a classificação geral decidida, todos os olhares estavam voltados para Simon para ver se ele batia o recorde, e Amy para ver se conseguia ficar em 2º lugar à frente dos rapazes.

Por outro lado, houve um ligeiro receio por parte dos organizadores, que certamente estariam a rezar para que todos os triatletas terminassem uma etapa de 280 km em que costumam passar por todos os climas possíveis e tudo pode acontecer... Após 7 triatletas desaparecerem da classificação geral na 1ª etapa.

Enfim, não tivemos a empolgação de ver quem ultrapassa quem para ser campeão, mas tivemos a chance de ver um novo recorde com Simon, e conferir se as meninas; Amy e Andrée-Anne; Eles eram fortes o suficiente para terminar à frente dos homens.

PESSOAL:

1º Simon Cochrane: 7H32´ (Superando os 7H35´ de Richard Thompson do ano passado, conseguindo ganhar mais de 3 horas na classificação geral sobre Andrew, seu perseguidor imediato, e, atenção aos dados; com queda incluída! As consequências não foram além de um roçar na lateral do glúteo e na lateral do sapato “rasgado”, mas… o choque daquele momento em que se vai primeiro e está prestes a ser campeão mundial… Deve ser tremendo).

4º-Andrew Mally: 9H35´ (Já se vendo vencido pelos turbilhões das duas primeiras meninas, não teria outra escolha senão lutar com o emergente Fernando López que iria de menos a mais na UM, ocorrendo entre elas um “dar e receber” para disputar o 2º e 3º lugar masculino).

5º-Fernando López: 9H19´ (O uruguaio subiria na classificação aos poucos e com evolução progressiva no setor de ciclismo, ficando em 2º lugar entre os meninos, e ficando 4´ atrás de André na classificação geral).

6º-Zachery Powell: 10H32' (Zach cairia de posições e já na 3ª etapa nem apareceria nas primeiras posições, sim; ninguém tiraria dele o título de triatleta mais jovem conseguindo terminar a prova).

GAROTAS:

2º- Amy robitaille: 8H38'. (Ótimo tempo, mas a mais de meia hora dos 8H02' que Dede Grisbauer marcou no ano passado. Ela continuaria mantendo grande vantagem com a 2ª garota, e o que tem mais mérito; passando para o 2º lugar na Geral, ultrapassando para André).

3º- Andree-Anne Girard: 9H06´ (Mais um triatleta que supera os meninos e se coloca no pódio da classificação geral, algo impressionante apesar do baixíssimo nível que houve este ano)

8º- Mary Latza: 10H32' (Levando 6' a mais que Anja Hooton, continuou a manter o 3º lugar feminino, algo que manteria até ao final com muito esforço).

11º-Anja Hooton: 10H26´ (Ela conseguiu ultrapassar Vanuza, sem saber se na 3ª etapa conseguiria evitar ser ultrapassada pela brasileira, o cansaço da 2ª etapa sempre cobra seu preço).

>84'4K do setor de corrida da 3ª ETAPA

E finalmente chegamos ao meu palco favorito; a da “maratona dupla” com Simon e Amy como líderes inatingíveis, e atentos: 2 MENINAS ENTRE AS 3 PRIMEIRAS DO GERAL!!!

Com apenas 15 participantes “vivos”, havia uma questão pairando sobre a Ilha Grande: Será que Simon conseguirá bater o recorde do Havaí e passar menos de 21 horas?

É verdade que já sabíamos praticamente quem ia ganhar, e que só faltava decidir quem fica em 2º e 3º nos rapazes, e em 4º e 5º nas raparigas, e quem vai terminar a UM, que é não é pouca coisa...

Mas... Já sabemos que isso é muito difícil e na última etapa tudo pode acontecer. Preste atenção no contraste do tempo da 3ª etapa com o tempo total da classificação geral:

CHICOS

1º-Simon Cochrane: 6H09´ – 20H57´46”: SIM! O milagre aconteceu e ele foi capaz de fazer acontecer. Ele chegou, correu e quebrou o recorde. Não era o Canadá, nem o percurso quase plano (com pequenas “gangorras”) da Austrália...

Foi um circuito difícil do Havai a Kona e fazer 6H09' é um esforço digno de menção especial. Vamos registrar bem esse tempo de 20H57', porque, sinceramente, acho que vai demorar muito para ser superado.

O percurso desta UM mudou “um pouco” após a erupção de 2018 e é também algo que deve ser tido em conta todos estes anos.

Sabemos também que as intempéries são diferentes todos os anos, podemos ter em conta mil variáveis ​​todos os anos, mas o facto é que hoje temos um novo recorde, e um novo Campeão do Mundo que esperamos que regresse no próximo ano para tentar defender seu título.

4º-Fernando López: 7H36´ – 27H24´. O uruguaio subiu para o segundo lugar na dupla maratona e na classificação geral; Sim, de 2 a 6 horas e meia do primeiro menino; Simão.

3ª etapa muito boa aproveitando, como previ que poderia acontecer, a oportunidade que noutros anos não teria tido com aquele tempo, ou seja, este ano; Apenas 3 pessoas conseguiram passar menos de 8 horas na maratona dupla, ou pior ainda; apenas 4 caíram abaixo de 9 horas. (Dados para refletir).

5º Andrew Mally: 10H17´ – 29H25´. Outro dado curioso a ter em conta, ficando em 7º lugar na 3ª etapa com mais de 10 horas; Ele consegue ficar em 3º lugar entre os meninos.

Finalmente superado por Fernando, conseguiu se manter entre os 3 melhores do Ultraman. É onde está.

Sem dúvida a corrida foi o seu ponto fraco, perdendo mais de 3 horas corridas em relação à seguinte. Claro, como sempre digo; “viver da renda; você tem que tê-los... antes.

GAROTAS:

2ª-Amy Robitaille: 7H54´ – 25H55´15”. CAMPEÃO MUNDIAL DO ULTRAMAN: Ficando em 2º lugar geral, e mais de uma hora à frente do vice e vice-campeão.

Podemos dizer que o favorito se cumpriu e deixa um grande lugar para a história, que deveria ser dado mais um ano; Além de terem um nível baixo em homens, os próximos participantes teriam que manter o mesmo nível, tarefa complicada com os “tempos” que Amy tem feito.

As mulheres podem ter sorte com triatletas como Amy, que estão em boa forma aos 44 anos.

3º-Andrée-Anne Girard: 8H40´ – 27H16´. Vice-campeã mundial e pódio na Geral: Mais um exemplo a seguir entre as meninas do Ultraman.

Tem muito mérito, até porque tem sido muito consistente em todas as etapas, e embora quase sempre tenha ficado muito atrás da Amy, também conseguiu tirar mais de 3 horas da 3ª das meninas.

6º-Mary Latza: 9H18´ – 30H48´. Conquistou o 3º lugar feminino na 1ª etapa e não largou até o final. Conseguindo também a façanha de terminar entre os 6 primeiros.

10º-Vanuza Maciel: 9H41´ – 32H38´. Depois de lutar para subir ao 4º lugar, ela finalmente consegue ganhar mais de uma hora sobre Anja na dupla maratona, completando o Ultraman no “TopTen”.

12º-Anja Hooton; 11H10´ – 33H22´. Ele tem lutado para ficar em 4º lugar, o que não é pouco, e mais; depois de ter passado o tempo do corte de cabelo na 1ª etapa. Ao ser ultrapassada por Vanuza na corrida, ela não conseguiu evitar a queda. Mais uma rapariga a terminar a UM no Havai, é mais uma vitória e abre caminho para que outras sejam encorajadas.

OS ESPANHÓIS

Como sempre digo; Graças a eles tivemos representação espanhola, uma salva de palmas só por isso. Mas, além disso, eles fizeram isso bem:

Dos 3 participantes espanhóis, (mais como 2, já que o hispano-americano Fernando López competiu como uruguaio, e embora eu o tenha incluído entre os espanhóis “para se tornar maior” e parecer mais (segundo suas palavras ele se considera uruguaio, espanhol e americano), tem que respeitar qual país cada um quer representar); Ele não terminou um.

Miguel Ángel Domínguez Cano Não ultrapassou o tempo limite na 1ª etapa, os 5H20' que fez no setor de natação devem ter-lhe dificultado a realização dos subsequentes 145 km restantes de ciclismo...

Embora também não excluamos que possam surgir outros possíveis problemas físicos ou mecânicos, algo muito comum em fases tão longas como as do Ultraman.

Passemos ao outro compatriota; Ismael Franco, que teve um bom desempenho terminando em 11º, indo de baixo para cima; começando com 4H13' nos 10K de natação, e aproximando-se do tempo limite na 1ª etapa com 11H40'.

Melhorou na 2ª e 3ª etapas, terminando a dupla maratona em 10H41, e com tempo final de 32H41'. Fazendo-nos sentir orgulhosos do único espanhol a terminar. Bravo Ismael!

Para finalizar, um Ultraman com um histórico impressionante, e com alguns triatletas que deram tudo de si só para participar.

É verdade o que discutimos com os dados em mãos; O nível depende muito dos triatletas que participam a cada ano; É uma coisa curiosa, mas é assim; Ontem à noite, discutindo a UM com amigos, contaram-me um facto curioso que tiveram como referência a respeito da minha humilde participação de anos atrás; Eles me disseram: “cno tempo que você fez em 2017 (incluindo as mais de uma hora e meia que você ficou perdido); Este ano você teria ficado em 3º lugar em meninos, quando naquela época você estava em 13ºº”…

Bem, como eu disse antes; São dados que fazem você pensar. Como costumamos dizer: o mais importante é que continue a realizar-se uma prova como esta, que não tem o peso mundial que deveria ter porque não movimenta o dinheiro que outras competições movimentam a outras distâncias.

Entretanto; Alguns de nós continuaremos a desfrutar da celebração destas provas tentando valorizá-las e, acima de tudo; encorajando outros a fazê-los.

Até o próximo ano amigos; muita saúde e muito triathlon para todos.

Amantes do Ultraman: ALOHA, OHANA, KOKUA.

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